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Cirurgião do IOP participa de consenso para padronizar o tratamento de doenças do peritônio

Com a principal função de revestir os órgãos abdominais, o peritônio é uma importante defesa e atua como proteção dos órgãos dessa região do corpo. Quando o peritônio apresenta alguma doença ou tumor, são poucas as alternativas de tratamento eficazes e que permitam uma taxa de cura e sobrevida elevada.

O cirurgião oncológico Andrea Petruzziello, do Instituto de Oncologia do Paraná, explica que as cirurgias no peritônio existem, mas são de grande porte e alta complexidade. “Recentemente foi realizada uma proposta de padronização com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica para qualificar os procedimentos de Citorredução Cirúrgica e Quimioterapia Intraperitoneal Hipertérmica (HIPEC) no Brasil, utilizados em pacientes com Pseudomixoma Peritoneal, tumores do apêndice cecal e mesotelioma peritoneal maligno.”

A técnica no Brasil é feita por alguns grupos pioneiros em São Paulo e no Rio de Janeiro há 15 anos, mas somente nos últimos anos houve um aumento no número de centros com expertise para fazer esses procedimentos. “Ainda é um grupo muito restrito de cirurgiões no país que têm a experiência no tratamento. Existem centros capacitados, mas muitos em fase muito inicial da experiência. Fora do país, como nos Estados Unidos, Europa e Ásia, é um tratamento rotineiro há mais de 20 anos. O consenso realizado foi resultado do primeiro esforço que se teve no Brasil para padronizar o uso das técnicas”, expõe o cirurgião.

A Citorredução Cirúrgica e Quimioterapia Intraperitoneal Hipertérmica (HIPEC) podem ser usadas por uma gama de doenças que provocam algum tipo de comprometimento do peritônio. “Todas as doenças do trato digestivo podem danificar essa região, como os tumores de estômago, colón e reto. Nas mulheres, o câncer de ovário pode ser responsável pelo comprometimento do peritônio. Tumores do apêndice também podem fazer uma disseminação para o peritônio. Existe um grande número de pacientes portadores de tumores colo retais que apresentam durante algum momento da doença o comprometimento do peritônio. Alguns pacientes chegam com a doença avançada e podem fazer apenas tratamentos paliativos, porém existe um subgrupo de pacientes – cerca de 30% dos pacientes com câncer de cólon e metástase no peritônio – que ainda podem ser abordados com intenção curativa. Mesmo que tenham o tumor disseminado pelo peritônio, certos pacientes podem e devem ser levados a um tratamento que proporcione um resultado melhor”, salienta. 

Padronização é fundamental para aumentar as taxas de cura

Enquanto quase 100% dos pacientes com Pseudomixoma Peritoneal e Mesotelioma Peritoneal podem ser operados, menos de 5% dos pacientes com metástase peritoneal provenientes de câncer de estômago podem usar esse procedimento. “O que buscamos junto com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, e que foi objeto desse consenso, foi começar a padronizar as rotinas e condutas que são tomadas. Cada grupo fazia algo diferente. A princípio, buscamos padronizar o HIPEC nas duas indicações que são menos controversas, o Pseudomixoma Peritoneal e Mesotelioma Peritoneal. São duas doenças raras, mas ambas devem ser tratadas com o HIPEC como tratamento padrão. Decidimos começar por esses dois porque é onde existe menos dúvida em todo o mundo. É uma cirurgia de grande porte, com duração de até 14h, onde são ressacados vários órgãos do abdome, onde se encontra a doença. Ao final da cirurgia, é feita uma perfusão de quimioterapia em altas doses e aquecida de 43° C de 30 minutos a 1h30. O tratamento muito intenso de quimioterapia serve para esterilizar o abdome do resto de qualquer célula com doença que pode ter ficado no local.”

A taxa de cura vai depender da gravidade da doença. Quando são casos iniciais, mesmo com a doença disseminada no abdome inteiro, fazendo essa técnica as taxas podem chegar a 90% de cura. Como se trata de um tratamento de alta complexidade, deve ser feito por equipes capacitadas. Apesar da cirurgia de alto risco, fora do país os resultados já são excelentes. Na França, por exemplo, HIPEC para doença colo retal tem apenas 1,5% de mortalidade. Segundo Dr. Andrea, “Hoje no grupo em que atuamos atingimos cerca de 5% de mortalidade, algo aceito dentro dos padrões internacionais. Neste momento podemos dizer que o grupo está capacitado para fazer o procedimento de forma segura e dentro de rígido protocolo de tratamento. Atualmente cerca de dez grupos realizam a técnica de forma rotineira no Brasil. É mais uma alternativa para pessoas enfrentando doenças de difícil tratamento”.

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